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segunda-feira, maio 22, 2006

AMEAÇADO, ESCRITOR FERRÉZ DESAPARECE DE SÃO PAULO

O escritor Ferréz, conhecido como “escritor da periferia” e líder comunitário no bairro Capão Redondo (zona sul), teria deixado São Paulo, supostamente devido a ameaças que teria recebido de policiais militares. Ele denunciou em seu blog que as polícias Militar e Civil, "afetados com a onda de matança, estão fazendo da nossa periferia um Estado prá lá de nazista”. Na última postagem no blog, no sábado, Ferréz se diz ameaçado e afirma que não se refere a toda a corporação. "Estou falando das chacinas, de uma minoria da polícia", diz. Segundo ele, defender a periferia é "covardemente confundido com defender bandido".

Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, Ferréz afirmou que já são mais de 100 "suspeitos" assassinados, e nenhum deles é do PCC. O Conversa Afiada tentou localizá-lo nesta manhã -- ainda não conseguiu -- e pediu explicações à Secretaria da Segurança Pública.


De acordo com o escritor, quatro pessoas foram assassinadas em seu bairro há três dias. "São pessoas que eu conhecia, tomava café com elas todos os dias", afirma Ferréz, que também é colaborador da revista Caros Amigos. Ele garante que nenhum dos assassinados fazia parte do PCC. Segundo relatou, as pessoas mortas "são suspeitas apenas por morar na periferia".


Ferréz lembrou durante a entrevista que já foram assassinados mais de 100 suspeitos. “É até estranho que o próprio Estado concorde e admita que já morreram mais de 100 suspeitos”, questiona. O escritor chamou a atenção também para assassinatos que aconteceram em bairros da periferia das zonas Norte e Leste de São Paulo. Em seu blog na internet, ele alerta os moradores dos bairros da periferia para o que chama de "matança". “Peço que a imprensa nos ajude a divulgar esses acontecimentos”, completa.
Ferréz afirmou que lojas do Capão Redondo estão fechando mais cedo por causa da insegurança dos moradores e comerciantes da região. “Temos mais medo da polícia aqui porque o ataque do PCC foi coordenado e não matou civis”, afirma.

Fonte: http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/369001-369500/369188/369188_1.html